Governo de São Paulo assina contrato histórico para construção do Túnel Santos-Guarujá e obra entra na fase de projetos
O Governo do Estado de São Paulo oficializou, a assinatura do contrato da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do aguardado Túnel Santos-Guarujá, obra considerada uma das mais importantes da infraestrutura brasileira e esperada há cerca de 100 anos pela população da Baixada Santista. O acordo foi firmado com o grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão realizado em 2025, consolidando o início de um novo ciclo de mobilidade urbana, desenvolvimento econômico e modernização logística na região.
O projeto prevê um investimento total de aproximadamente R$ 6,8 bilhões e será o primeiro túnel imerso do Brasil, tecnologia amplamente utilizada em países da Europa e da Ásia, mas inédita no território nacional. A estrutura será construída por meio de módulos pré-fabricados fora do canal e posteriormente imersos no leito do Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina.
Uma demanda centenária que finalmente sai do papel
A ligação direta entre Santos e Guarujá é considerada estratégica há décadas. Desde o início do século XX, diferentes projetos foram propostos, mas nenhum conseguiu avançar até a fase de execução. Agora, com a formalização da PPP, o governo estadual afirma que a obra se torna viável e deve transformar a dinâmica urbana e econômica da Baixada Santista.
De acordo com o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, o contrato marca o início das etapas técnicas e operacionais. Segundo ele, o cronograma prevê o desenvolvimento dos projetos e licenças ambientais em 2026, com início efetivo das obras em 2027.
“Assinamos o contrato com a concessionária Túnel Santos-Guarujá. O que era impossível e esperado há 100 anos vai se tornar realidade. Agora começamos a discutir o projeto funcional e executivo. No próximo ano iniciaremos a mobilização, e a previsão é de que a obra esteja concluída até 2030”, afirmou o secretário.
Estrutura moderna e foco em mobilidade sustentável
O túnel terá cerca de 870 metros de extensão sob o canal portuário e contará com três faixas de rolamento em cada sentido, além de passagem dedicada para pedestres e ciclistas e uma galeria técnica para serviços e manutenção. O modelo busca promover mobilidade eficiente, acessibilidade e segurança para diferentes tipos de usuários.
Atualmente, a ligação rodoviária entre as duas cidades pode ultrapassar 40 quilômetros, com tempo médio de deslocamento de até uma hora. Já a travessia por balsa, alternativa mais utilizada, depende das condições climáticas e da movimentação de navios, o que gera filas e atrasos frequentes.
Com o túnel, a expectativa é que o tempo de travessia caia para aproximadamente cinco minutos, trazendo impactos diretos na qualidade de vida da população e na produtividade econômica da região.
Impacto econômico e geração de empregos
A construção do Túnel Santos-Guarujá deverá gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos ao longo das fases de projeto, execução e operação. Especialistas apontam que a obra tende a impulsionar o setor de construção civil, serviços, comércio e turismo, além de fortalecer a competitividade logística da Baixada Santista.
A iniciativa também é considerada estratégica para o escoamento de cargas e integração do sistema portuário, facilitando o acesso entre margens e contribuindo para reduzir gargalos de mobilidade urbana.
O contrato firmado tem prazo de 30 anos, incluindo as fases de construção, operação e manutenção da infraestrutura. Durante esse período, a concessionária será responsável pela gestão do túnel, enquanto o poder público realizará a fiscalização e acompanhamento.
Leilão histórico e segurança jurídica
O projeto teve como marco o leilão realizado na B3, em setembro de 2025, considerado histórico por especialistas. A Mota-Engil venceu a disputa ao apresentar desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública máxima anual, estimada em R$ 438,3 milhões.
O processo de concessão seguiu diretrizes de transparência e governança, com disponibilização de documentos, cronograma e atualizações por meio de site oficial, reforçando o compromisso do Estado com a prestação de contas à sociedade.
Outro ponto relevante é a licença ambiental prévia, já emitida pela Cetesb. O documento atesta a viabilidade ambiental do empreendimento e autoriza a continuidade dos estudos técnicos e projetos executivos.
A análise considerou impactos em áreas sensíveis, como manguezais, fauna, flora e ruídos, além de aspectos sociais relacionados a desapropriações. Condicionantes ambientais foram estabelecidas para garantir a sustentabilidade e a mitigação de possíveis impactos.
Obras complementares e melhorias urbanas
Além da construção do túnel, o projeto prevê uma série de intervenções viárias nas duas cidades. Essas obras incluem melhorias em acessos, vias estruturais e conexões com o sistema urbano local, com o objetivo de garantir fluidez ao trânsito e absorver o novo fluxo de veículos.
A fiscalização ficará sob responsabilidade da Artesp, agência reguladora que acompanhará o cumprimento do contrato, cronograma e qualidade da execução.
O início dessas intervenções complementares está previsto para 2027, com foco em preparar o entorno para a nova infraestrutura.
Cronograma oficial da obra
O Governo de São Paulo divulgou as principais etapas do cronograma, que deverá se estender até 2030:
2026 – Projetos funcional e executivo
Nesta fase, serão desenvolvidos os projetos técnicos, estudos complementares, negociações de desapropriações e licenças ambientais necessárias para o início da obra.
2027 – Início das obras
Construção da doca seca, dragagens preliminares e implantação dos canteiros.
2028 – Fabricação dos elementos
Pré-moldagem das estruturas do túnel, dragagem da trincheira no canal e início das rampas de acesso.
2029 – Imersão e montagem
Instalação dos módulos, selagem das juntas e execução das obras de conexão.
2030 – Finalização e entrega
Acabamentos, sistemas operacionais e testes finais antes da liberação à população.
Transformação urbana e logística
Especialistas avaliam que o Túnel Santos-Guarujá representa um marco para o desenvolvimento regional. Além de reduzir o tempo de deslocamento, a obra pode valorizar imóveis, estimular novos empreendimentos e fortalecer o turismo.
Outro impacto esperado é a modernização da mobilidade metropolitana, integrando melhor a Baixada Santista ao restante do Estado de São Paulo e ampliando a eficiência do sistema logístico nacional.
A expectativa é que a infraestrutura também contribua para a sustentabilidade, ao reduzir emissões de poluentes geradas por congestionamentos e longos deslocamentos.
Expectativa da população e próximos desafios
Após décadas de promessas, a assinatura do contrato aumenta a confiança da população na execução do projeto. No entanto, especialistas alertam que o cumprimento do cronograma dependerá de fatores como estabilidade econômica, licenciamento ambiental e gestão eficiente.
O governo estadual afirma que o modelo de PPP foi estruturado para garantir previsibilidade financeira, segurança jurídica e transparência.
Se concluído dentro do prazo, o túnel poderá se tornar referência nacional em engenharia, inovação e planejamento urbano.
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